Skip to main content

Para fechar o ano(,) mais pop para você!

Jefferson Airplane - Surrealistic Pillow

Nada de melhores do ano. Nem piores. O que foi melhor pra mim pode muito bem não ter sido pra você. Dããã! E outra: não sei arquitetar listinhas, tops e afins. Sempre sai além do planejado. Só sei que Papai Noel é aquele cara lá que administra uma dessas lojas estilão magazine, sabe? O sujeito tem de um lado um monte de presentes e do outro um monte de gente querendo e babando. Está armado o natal. Chegamos, enfim, na época do culto à cor branca e a caras que jogam runas. É o festival das sandálias brancas modelo plataforma e das coletâneas-tributos-best of-very best of daqueles grandes artistas que você não pode deixar de dar pra tua tia e/ou pro teu colega de escritório na revelação do amigo-secreto! Aeee! Muitos assuntos caindo da boca! Vamos.

Pill #1 – Regressos necessários no ‘dial’

Não comentar algo sobre o novo livro de Fábio Massari seria cruel. O ex-Vj da MTV Brasil reuniu em “Emissões Noturnas – cadernos radiofônicos de fm” várias entrevistas interessantíssimas, que foram feitas enquanto comandava o “Rock Report”, finado programa da rádio paulistana 89 FM. Embora a vida do “RR” não tenha se prolongado muito (1991-1996), foi suficiente para que grandes nomes da música passassem pelo estúdio da rádio, como os Ramones, ou concedessem entrevistas “phoner”, como a de Kim Gordon, baixista do Sonic Youth.

Ao ler esse livro radiofônico não há como não sentir um desejo absurdo de ouvir todas as bandas entrevistadas e mencionadas pelos artistas e pelo autor. É aquele processo mágico da música: não basta saber o nome de uma banda, tem que ouvir algum single, partir para o álbum inteiro e depois para toda a discografia.

E com essa história de resgatar os sons, que tal puxar algo das antigas como Jefferson Airplane? Massari não entrevistou nenhum integrante dessa banda que acabou bem antes do programa “Rock Report” nascer. Entretanto, ao longo do livro, o JA aparece como uma das bandas que recheava a programação do ‘dial’.

Para entendermos o rock psicodélico é imprescindível ouvir o quê essa controversa banda tinha a dizer, contemporânea de Hendrix e Joplin, em uma época de muita discussão política. Formada em São Francisco (EUA) em 1965, lançou seu debut Takes Off em 1966. Embora ignorado pela crítica, o álbum atingiu popularidade na costa e levou o JA a tocar ao lado de bandas renomadas como Grateful Dead. Em 1967, já contando com a vocalista Grace Slick no lugar de Signe Anderson, o segundo álbum Surrealistic Pillow alcançou as paradas de sucesso com músicas como “Somebody to Love”, “Comin’ Back to Me” e “White Rabbit”. A favor do amor livre e das drogas, o álbum se encaixava perfeitamente no contexto do tão comentado “Verão do Amor”.

O Jefferson Airplane não sobreviveu nem até meados da década de 70, mas deixou uma discografia interessante de álbuns que refletem as idéias de um movimento. As marcas do rock psicodélico, suas distorções e experimentações, exploradas tão bem por essa incrível banda ainda podem ser sentidas no som de muitas bandas da atualidade. Ainda bem.

Pill #2 – A palavra da semana é...fotolog. E aí, você já fez o seu?

Eu não! E pelo o que tenho percebido por aí o esquema é ter um fotolog, que é, trocando em miudinhos para os mais distraídos, a evolução dos álbuns de fotografia para a internet. Basta um cadastro e lá está o sujeito publicando fotos for free na rede. Assim tem sido relativamente fácil fazer amigos, arrumar namorado(a), amante, divulgar sua festa ou até mesmo...hummm...montar uma banda!

Foi assim que surgiu a banda paulistana Cansei de Ser Sexy, que tem Adriano Cintra (do Three Butcher’s Orchestra) no controle das baquetas, o único cara no meio da mulherada. Os integrantes se conheceram por fotolog, prova de que o lance é acompanhar a cena cyber e não perder tempo. Segundo Adriano, espantado ao saber que eu ainda não tenho um fotolog, “O importante é ter um, nem precisa ser bom, mas tem que ter!”. Okay.

Pill #3 – Audioslave. Falta de opção ou de opinião?

Na coluna anterior tentei sondar entre meus simpáticos leitores como estava ocorrendo o processo de recepção do Audioslave. Não obtive as 2.876 respostas sonhadas, mas até que houve uma amostragem interessante de palpites. Apurando o caldo sobrou o seguinte: a banda até presta, mas o que valia mesmo era ter Rage Against the Machine de um lado e Soundgarden do outro. Cornell e Morello parecem estar bem longe de ser a nova duplinha dinâmica do rock. Muitos vêem a banda como algo do tipo “Ah, se tocar no rádio eu deixo. Não significa que vou ouvir e vibrar, mas também não é preciso trocar de estação”. Quando uma banda gera esses tipos de reações, sinceramente, é muito triste. Quem sabe a coisa se reverte no próximo álbum...

Pill #4 – Ingredientes usados no preparo da coluna – vide receita

Misture 1 cd caseiro com todas as músicas que mais agradaram nesse último mês a 1 cd do Black Rebel Motorcycle Club; Para dar ainda mais textura, acrescente 1 cd dos Ramones e pronto! É só misturar tudo e servir!

Então é isso aí! Até 2004!

Muito rock’n’roll pra vocês...