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Johnny Cash

Com sua voz grave e canções sobre fé, culpa, amor e redenção, Johnny Cash atravessou as fronteiras do country para se tornar uma das figuras mais influentes da música americana. Conhecido como o “Homem de Preto”, construiu uma obra que aproximava a tradição popular das experiências de trabalhadores, prisioneiros e pessoas à margem da sociedade.

Nascido em 26 de fevereiro de 1932, em Kingsland, Arkansas, Cash cresceu em uma família de agricultores. Sua formação musical reuniu os hinos religiosos ouvidos na infância, o country da Carter Family e a influência de Jimmie Rodgers. Depois de servir na Força Aérea, estabeleceu-se em Memphis, em 1954, onde começou a tocar com o guitarrista Luther Perkins e o baixista Marshall Grant, os Tennessee Two. Embora fosse um artista solo, essa parceria foi fundamental para a construção de seu som econômico e pulsante.

Sua carreira fonográfica começou na Sun Records, em 1955, com “Hey Porter” e “Cry! Cry! Cry!”. As faixas “Folsom Prison Blues” e “I Walk the Line” consolidaram sua projeção nacional. Na Columbia, gravadora para a qual se transferiu em 1958, ampliou seu repertório com o sucesso “Ring of Fire” (1963) e trabalhos conceituais como Bitter Tears: Ballads of the American Indian (1964), dedicado à causa dos povos indígenas.

Os anos 1960 também foram marcados pela dependência de medicamentos e por crises pessoais. June Carter, sua parceira musical e esposa desde 1968, teve papel decisivo em sua reabilitação. Os álbuns ao vivo At Folsom Prison (1968) e At San Quentin (1969) tornaram-se marcos de sua discografia. Entre 1969 e 1971, o programa de televisão The Johnny Cash Show ampliou seu alcance público e abriu espaço para artistas de múltiplos gêneros.

Em 1985, Cash reuniu-se a Willie Nelson, Waylon Jennings e Kris Kristofferson no supergrupo The Highwaymen. Na década seguinte, iniciou uma histórica renovação artística ao lado do produtor Rick Rubin. American Recordings (1994), Unchained (1996), American III: Solitary Man (2000) e American IV: The Man Comes Around (2002) apresentaram sua obra a novas gerações. Neste último trabalho, sua interpretação de “Hurt”, do Nine Inch Nails, consagrou-se como um dos registros mais comoventes de sua fase final.

Johnny Cash morreu em 12 de setembro de 2003, aos 71 anos. Mas seu acervo segue revelando novas dimensões de sua trajetória. Em junho de 2024, foi lançado Songwriter, composto por onze faixas autorais gravadas em 1993 e finalizadas sob a produção de John Carter Cash e David Ferguson.