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Discos que você não ouviu em 2002, mas deveria - Parte I

3RD Strike - 'Lost Angel'

Chegando fim do ano e todo mundo se diverte com as mesmas velhas novidades. Se você pensou Papai Noel errou, estou falando das famosas, batidas e inevitáveis listinhas de "melhores discos do ano". Porém, antes de fazer a minha, acho importante citar discos que deixaram sua marca em 2002, me limitando em dois aspectos: Primeiro, fazer uma lista com os "melhores discos de tal ano" seria muita pretensão. Por mais quixotesco que eu seja tentando ouvir e conhecer, nunca seria capaz de cobrir tudo que foi produzido nos quatro cantos do mundo. Então só estão aqui discos feitos nos Estados Unidos. Segundo, ainda pelo mesmo motivo, não é uma lista de melhores, mas sim uma espécie de listinha de "audição obrigatória" de discos que passaram mais desapercebidos pelo Brasil. Portanto, ficam de fora coisas mais óbvias como Foo Fighters/"One By One", Queens of the Stone Age/"Songs for the Deaf", Papa Roach/"Lovehatetragedy", System of a Down/"Steal this Album!", Wilco/"Yankee Hotel Foxtrot" e Madredeus "Electronico", entre outros.

Para não ficar um artigo muito grande e sendo propositalmente pretensioso copiando o Quentin Tarantino com seu ótimo Kill Bill, esse artigo vai ter parte I e II. Ainda vem por aí Chevelle, 30 Seconds to mars, Apex Theory, The Used e Nonpoint.

Em tempo, aproveitando a idéia da colega Susan Sousa, queria pedir a contribuição dos amigos leitores(dos colunistas também) e saber a opinião de vocês sobre a coluna até aqui, deixando canal aberto para críticas e sugestões.


Banda: 3RD Strike (http://www.3rdstrikeband.com)
Disco: Lost Angel/2002

Esse é o primeiro e único cd da banda até agora. A banda surgiu nos subúrbios de Los Angeles, California e faz "rap-metal" ou "new-metal" com bem mais momentos melódicos do que se está habituado. Foram descobertos pelo guitarrista do Pennywise e são exemplo de superação. O vocalista Jim Korthe passou pela prisão por assalto à mão armada e porte ilegal de arma, outros dois integrantes lutaram bastante em abrigos para se livrarem do uso de drogas pesadas. A realidade do cotidiano dos membros da banda não poderia ter deixado de influenciar o som e os temas abordados nas letras, segundo Jim, "Muito disto é dramático, bem depressivo e raivoso. Eu não planejo escrever do jeito que escrevo, apenas acontece". Ele escreveu "No Light", o primeiro single da banda, depois de visitar o túmulo de um amigo morto em uma briga de gangues por um rival ex-soldado do primeiro conflito no Iraque: "Um dia ele me falou, sabe de uma coisa? Nunca vamos morrer. No dia seguinte ele estava morto". O disco traz ainda uma cover do Black Sabbath, "Paranoid" que conta com a participação do DJ Muggs do Cypress Hill. Além das duas músicas citadas, outros pontos altos são "Redemption" e a furiosa "All Lies" disparando como uma arma de grosso calibre "Catholic faith, american pride, marital vows...all of these are fuckin lies". A última música do disco logo no primeiro verso exorciza o passado e setencia: "the past is gone/fading like the sunset".

Além do fato de ser um ótimo álbum, a banda é de certa forma especial para mim por ter sido o primeiro show que vi em território americano, no Ozzfest 2001 o 3RD Strike era a sexta banda a tocar no palco secundário ainda pela manhã, como sempre cheguei atrasado. No momento estão em estúdio compondo o segundo trabalho sem data de lançamento previsto.

Banda: TRUSTcompany (http://www.trustcompanyband.com)
Disco: The Lonely Position of Neutral/2002

Esse quarteto baseado em Montgomery, Alabama, como a banda anterior, faz seu debut e estão em fase de produção do segundo álbum. Mas nesse caso trata-se de um dos discos mais "redondos" que já ouvi nos últimos anos, impecável. O som é meio complicado de rotular, basicamente é rock. Mas para dar uma idéia, seria um Linkin Park mais cru e com menos efeitos eletrônicos e totalmente sem o vocal rap. O que fica é a química da agressividade com um vocal suave e quase sussurrado. As letras versão sobre desilusões amorosas e cair, como o single "Downfall". A letra diz: "Push me away, make me fall, Just to see, another side of me". É aquele tipo de disco difícil de apontar as melhores cancões, bem coeso e todas as onze músicas poderiam ser de trabalho. O único problema é que o som da banda funciona melhor em estúdio, ao vivo as guitarras encobrem o vocal.


Banda: Nickel Creek (http://www.nickelcreek.com/)
Disco: This Side/2002


Para não me acusarem de ser bitolado e somente ouvir "metal", este vai para provar meu ecletísmo. Trazendo em sua formação os irmãos Sean(Vocal, guitarra, violão) e Sara Watkins(Vocal e violino) e Chris Thile(Vocal e Bandolin) completando o trio, fazem shows com baixista convidado. A banda nasceu como bluegrass(para quem não sabe é a fusão entre folk e a country music surgida no sul, temperada com influências dos imigrantes após o advento da Segunda Grande Guerra), mas expandiu seus horizontes naturalmente. Tanto que nesse segundo trabalho, vindo de um primeiro disco igualmente belo, traz uma cover do Pavement, "Spit on a Stranger". Vai parecer sacrilégio para os fiéis seguidores do Stephen Malkmus, mas achei a releitura do Nickel Creek melhor. Outra característica interessante é que não há um único vocalista, o trio reveza nos vocais. Canções de texturas delicadas desfilam por todo o trabalho, "Brand New Sidewalk", "Seven Wonders" e "Hanging by a Thread" merecem ser citadas, mas parece que o forte da banda é a reciclagem, "House Carpenter", uma canção tradicional, ganha um arranjo emocionante e melancólico.

Contaram com a produção de Alison Krauss, uma veterana ganhadora de Grammy's e já lenda da country music de qualidade(apesar de seus poucos 32 anos), o resultado foi que por esse disco ganharam o Grammy na categoria "Best Contemporary Folk Album".