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Headdress - Turquoise

Headdress - Turquoise

Disco já colocado no cd player. Estou pronto para mais uma audição. Sempre adoro os primeiros minutos de um álbum. É exatamente aí que você vai seguir adiante na sua tarefa ou não. Um exercício que pode se tornar prazeroso, como pode ser um suplício em que a tecla de adiantar música funciona sem parar. Sobretudo quando é uma banda que pouco se falou na internet. Tudo se torna mais interessante quando a sua busca foi infrutífera, pois quase nada foi relacionado, isto até nos renomados sites que tratam de música. O pouco que encontrei estava no myspace e tudo indica que a banda é formada por dois componentes: Ethan e Caleb. Certamente um trabalho com pouca divulgação, lançado exclusivamente para a internet e que busca um certo anonimato.

Começo a ouvir. ‘Skydie’ começa seus 15 segundos iniciais no mais completo silêncio. Posteriormente surgem guitarras dedilhadas, uma percussão minimalista e uma voz sussurrada estilo Vini Reilly ao fundo. Eu falei Vini Reilly, lendário e virtuoso guitarrista aka Durutti Column? Então – mesmo não gostando de comparações – penso em deixar o disco tocar. Tal fato já seria um bom pretexto para abrir o sorriso. Um som bem intimista; inclusive, experimentalista e despretensioso.

Estou no serviço e tem muito barulho. Paro tudo e deixo para ouvir em casa. Melhor assim. Um pouco mais de percepção e senso para fazer um julgamento apropriado. À noite, no aconchego do quarto, no silêncio da noite, ouço tudo com mais atenção. ‘Spirit Canyon Medicine Song’, a segunda música, segue com a mesma performance. Mesma linha melódica. À exceção que temos a presença de uma harmônica pungente, o que me lembrou um blues mais calmo. Mesmo em casa, preciso dar um aumento no volume devido à lassidão das composições.

Neste ano, mesmo com tantas bandas folk aparecendo no cenário musical, duvido que exista uma que traduza melhor o sentimento do estilo como o Headdress passa. Convencionou-se chamar também de psych-folk, todavia tento desconsiderar essa profusão de rótulos que aparecem a cada instante. Tudo denuncia como se você estivesse num extenso deserto americano, vendo o luar, ao lado de uma fogueira e arriscando tocar alguma coisa tendo como companhia apenas um instrumento e voz. Até uivos de lobo estão presentes em ‘Moon Of Shedding Ponies’. Momentos que remetem a verdadeiras paisagens desérticas cinematográficas.

E mesmo que você não tivesse noção do que podia ser o disco, você observa nas palavras dos títulos das músicas toda uma carga semântica que remete ao bucolismo/naturalismo/barroquismo que um disco folk pode proporcionar: canyon, moon, owl, desert, Arizona, ponies, stars, etc. Ou seja, um disco confessional e totalmente relacionado com o estilo musical.

O trabalho com as cordas ficou primoroso e bem cuidado (escute ‘Arizona’ para comprovar). O que vale alguns pontos. Em contrapartida, apresenta um certo cansaço e uma possível monotonia nas suas 9 músicas. Não espere o mínimo de barulho. ‘Turquoise’ se idealiza como um disco para ouvir numa noite chuvosa, lendo um bom livro. Com menos de 40 minutos, é um disco que te deixa ir até o final e que te causa um relaxamento inevitável. Talvez na segunda audição, você até durma. Isso aconteceu comigo com Eluvium e com Durutti Column, entretanto, sempre durmo em paz e tendo bons sonhos.

Banda: Headdress
Título: ‘Turquoise’
Ano: 2007
Gravadora: Totem songs
Nota: 6,2

Para saber mais: http://www.myspace.com/totemsongs