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The Teenagers - Reality Check

The Teenagers - Reality Check

Se é algo que carregamos para sempre em nossas vidas, isso é a memória. Em nosso campo enigmático e inexplorado que é o cérebro, ficam lembranças tanto aprazíveis como as mais angustiantes e traumáticas que presenciamos ao longo de nossa efêmera existência. A primeira música ouvida, o primeiro beijo, as primeiras experiências sobretudo adquiridas numa adolescência, a primeira pessoa do coração que vemos ser enterrada ou até mesmo aquele primeiro disco em vinil – objeto de desejo - adquirido amargamente depois de 1 mês de trabalho sofrido.

E é com uma capa mostrando um beijo entre um jovem casal, que o trio francês/londrino liderado pelo vocalista Quentin Delafon, mais Dorian Dumont (guitarras, sintetizador) e ainda contando com o baixista Mark Szpiner dá luz ao disco ‘Reality Check’. Tecendo 12 composições que fincam o pé na eletrônica dos anos 80/90 (inclusive o techno-pop) sem sair do electro-rock tão comum na atualidade, o trio mostra um disco acima da média, curto na medida certa (menos de 40 minutos), bem dançante e com hits em potencial. Se estivéssemos num país com rádios mais ecléticas e menos burocráticas, diria até que esse é o álbum para o verão de muitas pessoas, indubitavelmente.

Lembra do primeiro amor de sua vida? As cartas feitas à mão que você trocava com sua pessoa amada? Letras estúpidas e banais de amor relatando confidências, declarações e ciúmes bobos? Aquelas festas virando as noites com amigos da adolescência que sequer conseguíamos relatar no dia seguinte. Assim serão as letras do The Teenagers. Ora, adolescentes. Curtir a vida. Ficar com a cabeça aérea por estar envolvido com paixão e ter descompromisso com o futuro. De deixar o quarto bagunçado por uma semana inteira.

O que importa é que Quentin e seus asseclas jogam essas letras – embora com temas juvenis – sobre um instrumental preciso, bem condensado e com camadas super interessantes. Guitarras surgem em dedilhados convincentes com pitadas de baixo à la anos 80 para logo em seguida os sintetizadores compartilharem de maneira discreta – ou nem sempre - o amálgama sonoro das composições. Pegue como exemplo a canção ‘III’. Vocais charmosos revelando espécies de diálogos como se estivessem contando experiências entre jovens são a tônica em ‘Homecoming’ e ‘Sunset Beach’.

‘Make It Happen’ poderia até figurar num disco do New Order – pensem algo como o ‘Technique’ de 1989. Só não é o Bernard Summer cantando, claro. “Fuck Nicole’ e ‘French Kiss’ nos remete a uma época áurea onde ouvíamos junto com os amigos Human League, OMD e Ultravox (se você for da geração mais nova, não precisa conhecer essas citações para gostar das duas músicas em si). Outros destaques ficam por conta de ‘Starlett Johansson’ com um clima mais rock semelhante a bandas tipo Kaiser Chiefs e Maximo Park e da totalmente alegre e contagiante ‘Feeling Better’.

No final, sempre sobram adjetivos para qualificar uma produção musical: idiota, despretensiosa, repetitiva, momentânea, radiofônica, apelativa, dançante, nonsense, grudenta. Variam tanto para quem gostou como para quem odiou. Isso tudo poderia entrar num julgamento final de ‘Reality Check’. Ele passa exatamente vários sentimentos. Porém, acabo ficando mais com as qualidades e descartando os defeitos do álbum.

Você, quando é adolescente, passa por todas as emoções possíveis. Eu estou passando agora. Algo me diz que meu cérebro voltou ao passado. Há 10 ou 20 anos atrás. E isso até que é bom demais. Que continue a audição.

Banda: The Teenagers
Disco: Reality Check
Gravadora: Merok
Ano: 2008
Nota: 7,8